Pesquisa e interação na prática formativa

Esta manhã começamos as atividades do I Encontro Fotografia e Educação com diálogos articulados pelas pesquisadoras e professoras Ana Mae Barbosa e Ana Maria Schultze. Mais de cem educadores de diversos setores da educação pública, privada, cursos livres e projetos sociais estão presentes no Centro de Formação Paulo Freire, em Recife, para participar das ações e debates com a equipe do evento.

Ana Mae Barbosa apresenta debate sobre discussão da pesquisa de arte no Brasil | Foto: Ana Lira/Retratografia

Ana Mae Barbosa apresenta discussão da pesquisa de arte no Brasil | Foto: Ana Lira/Retratografia

Ana Mae iniciou a conversa com os participantes questionando O que é pesquisa em arte? Ela vem questionando há anos a dependência da linguagem escrita no universo acadêmico nos processos de pesquisa em arte. Entre as questões que ela trouxe para o público nesta manhã estão: fazer pesquisa em arte é desenvolver um texto escrito sobre imagens? Como defender uma pesquisa em arte? Como essa pesquisa se revela? É através do texto?

Ela discutiu várias experiências que mostravam a importância de apresentar uma pesquisa acadêmica que trate sobre arte com o desenvolvimento do próprio trabalho artístico. Uma delas está no volume 34 da Revista Educação, que tem um trabalho do Ricardo Marin. A principal questão que ele traz neste debate é como pensar o ensino da arte por meio de um olhar sobre os educadores de arte.

Discussão levantou diversas questões entre educadores e profissionais da imagem | Foto: Ana Lira/Retratografia

Discussão levantou questões entre o público diverso do EFE | Foto: Ana Lira/Retratografia

A produção então conta com retratos deles e apenas um pequeno texto que discute a temática. A observação dos retratos é uma das chaves do projeto. Como podemos ler, interpretar e discutir estes retratos. Como podemos refletir sobre os resultados da interação visual com estes retratados. Assim, ela discute como a imagem pode ser usada como forma de pensar e revelar os desdobramentos da pesquisa acadêmica.

Entre alguns dos retratados do projeto, Ana Mae mostra pessoas com quem ela conviveu e trabalhou. Em um dos casos, em um congresso em Taiwan, uma das educadoras perguntou: como é que no Brasil os arte-educadores pensam de forma tão equivocada a arte-educação? Ela disse que essa é uma pergunta para tirar o sono.

Outras questões trazidas por ela dizem respeito a um contexto que difere bastante disso. Ela diz que sente que os artistas no Brasil estão mais preocupados com a educação e que a produção acadêmica está encontrando caminhos de viabilizar seus resultados como arte. Um cenário que para ela é bastante estimulante. A arte para ela é um espaço importante de formação e estas conexões precisam ser reforçadas.

Experiências diversas apareceram nos relatos  Foto: Ana Lira/Retratografia

Experiências diversas apareceram nos relatos Foto: Ana Lira/Retratografia

O artista que atua na educação ou o educador que trabalha com questões artísticas precisa ser propositivo, precisa ser claro em suas intenções e nas questões que está colocando para os grupos com os quais trabalha. A cultura, segundo Ana Mae, é um espaço tão significativo que proporciona mudanças em aspectos do corpo e da identidade do indivíduo, de modo que o seu impacto não pode ser desconsiderado e nem reduzido dentro do processo formativo.

Por isso ela relata a importância de libertar a pesquisa artística, buscar outras possibilidades de atuação dentro e fora da universidade, ampliar a formação para que mais pessoas consigam lidar com a imagem como ferramenta de discussão crítica. É uma luta educacional, social, política, estética, relacional e artística.

A palestra de Ana Maria Schultze seguiu uma linha diferente, mas trouxe algumas abordagens de Ana Mae, que é uma das referências da artista visual e educadora paulistana. Schultze iniciou a conversa pedindo que cada um respondesse: o que é fotografia? Ela recolheu as respostas e trouxe para o debate uma experiência mais voltada à prática da sala de aula, uma vez que ela trabalhou no ensino público durante vários anos e com educandos de diversas faixas etárias, a maioria deles oriundos de escolas na periferia de São Paulo.

Ana Maria trouxe experiência de mais de dez anos em escolas  Foto: Ana Lira/Retratografia

Ana Maria trouxe experiência de mais de dez anos em escolas Foto: Ana Lira/Retratografia

Ana Maria colocou que um dos aspectos importantes de quem está envolvido com estrutura mais formal de uma escola é tentar tornar cada aula uma pesquisa. Ela fala da importância de conhecer bem o contexto em que se trabalha para propor atividades que possam utilizar materiais que estejam disponíveis ou que não sejam impossíveis de conseguir. Dentro deste contexto, ela exibiu experiências feitas com as abordagens mais diversas da fotografia: desde experimentações artesanais ao uso de práticas educativas com celulares e câmeras digitais.

A artista visual destacou também que qualquer tipo de imagem pode ser usada em sala de aula para dialogar com a turma. Ela mostrou doze tipos diferentes de imagens que podem proporcionar aprendizados amplos e distintos, além de ativar os processos criativos dos educandos. Ana Maria, inclusive, evita planejar de forma determinante como a formação ocorrerá, construindo muito o caminho com os alunos para que eles possam perceber a importância deste percurso na construção do conhecimento.

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Será que nossos filhos pensam na fotografia como memória? | Foto: Ana Lira/Retratografia

Por isso, além de desenvolver ações em conjunto com o grupo e práticas avaliativas que estão integradas com o processo da turma, ela também procura envolver a comunidade onde a escola está situada. Um exemplo que ela deu foi o desenvolvimento de uma pesquisa fotográfica, cuja avaliação foi feita por meio de um portfólio de imagens que trazia o percurso de cada aluno e a interação com a comunidade deu-se por meio de uma exposição.

Estas etapas foram fundamentais para a elaboração de um novo modo de interagir com os aspectos técnicos e do discurso da imagem, a autonomia dos educandos e o envolvimento da comunidade nos resultados da formação escolar. Esta divisão de experiências levou vários professores a refletirem sobre os contextos de suas próprias escolas e quais as possibilidades de articulação. Ana Maria Schultze também propôs a criação de um intercâmbio com os educadores, desde que houvesse uma troca real de experiências entre eles.

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Participantes acompanharam as discussões e conheceram seus grupos Foto: Ana Lira/Retratografia

Os debates encerraram com uma boa perspectiva entre os participantes, que aproveitaram o almoço para trocar mais ideias com os palestrantes e com os colegas de evento. Agora a tarde ocorre a primeira vivência entre os grupos temáticos, que deve se estender até o final da tarde, com discussões acerca do que foi apresentado nesta manhã e direcionamentos para as atividades do segundo dia do evento.

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