I Encontro de Fotografia e Educação – Noite de Abertura

Texto: Joana Pires
Fotos: Ana Lira

Mesa de abertura do I EFE | Foto: Ana Lira

Mesa de abertura do I EFE | Foto: Ana Lira

Quando Ana Mae Barbosa começa a falar, toda uma sala faz silêncio em atenção. É um dom que denota sua vocação como educadora, uma pessoa disposta a compartilhar experiências, mediar a troca de conhecimento. Essa impressão ficou clara na noite de abertura do I Encontro de Fotografia e Educação (EFE), que aconteceu na segunda-feira, 12 de agosto, no Teatro Hermilo Borba Filho. A pesquisadora e arte-educadora é reconhecida como uma das maiores referências para os professores de arte não apenas no Brasil. Na noite de ontem, acompanhada dos arte-educadores Miguel Chikaoka, João Kulcsár e Ana Maria Schultze, Ana Mae deu as boas-vindas aos fotógrafos, professores e demais interessados em discutir a relação entre a fotografia e a educação, suas potencialidades como ferramenta pedagógica no ensino formal.

Ana Mae Barbosa e Ana Maria Schultze | Foto: Ana Lira

Ana Mae Barbosa e Ana Maria Schultze | Foto: Ana Lira

Promovido e mediado pelo Grupo de de Educação e Mudança pela Arte (GEMA), o encontro de abertura contou com as falas dos quatro convidados como facilitadores da formação participativa que marcará os três próximos dias do EFE, no Centro de Formação de Educadores Paulo Freire.

Para Ana Maria Schultze, “essa é uma oportunidade rica de discutir a educação formal e as esferas não formalizadas da educação”. Uma das surpresas da noite foi justamente a apresentação de Schultze, que homenageou Ana Mae em sua fala “A fotografia e o ensino da arte na escola sob a influência de Ana Mae Barbosa”. Para Schultze, Barbosa é um exemplo claro de como a arte-educação pode ser mediadora de uma formação social e cultural.

Antes dela, Miguel Chikaoka ressaltou a importância do Encontro para a reflexão sobre o vácuo que existe entre nossa formação em imagens e o nosso convívio, nossa exposição diária a essas imagens. “Numa sociedade que vive de resultados, perceber o processo é viver numa espécie de contramão”, defendeu Chikaoka, “não desperdiçar nada do que o processo oferece é também uma ação”.

Teatro Hermilo Borba Filho | Foto: Ana Lira

Teatro Hermilo Borba Filho | Foto: Ana Lira

João Kulcsár, por sua vez, destacou a importância da alfabetização visual, relembrando o educador Paulo Freire, segundo o qual “a leitura do mundo precede a leitura da palavra”. Para o pesquisador, a linguagem visual é um meio para a compreensão do mundo e a expressão pessoal. O professor e curador apresentou o seu trabalho com projetos sociais que buscam a integração de outros sentidos no processo de expressão visual, destacando a importância de “fecharmos os olhos para vermos melhor”.

Na última fala da noite, Ana Mae Barbosa destacou a imagem como uma “ferramenta extraordinária para o desenvolvimento das inteligências que só são desenvolvidas através da percepção” e defendeu “a fotografia é a grande arte do século XXI”. Para ela, a fotografia é capaz de ajudar no desenvolvimento da imaginação, que é, em si, uma forma de entendermos a realidade. A câmera, acredita, é algo poderoso na mão da criança e do adolescente, mas é preciso formar o professor para entender a potencialidade desse processo. “Essa discussão é política porque é uma forma de melhorarmos a educação do País”, comentou a pesquisadora.

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